É com essa belíssima frase de Angel Vianna, bailarina, professora de dança e pesquisadora do corpo, que gostaria de dar boas-vindas e iniciar, com você que aqui chega,
uma conversa sobre acolhimento, escuta e transformação.
Há 12 anos construo, na prática clínica, um corpo analista e espaços que possibilitam a abertura necessária a processos potencialmente transformadores. Acredito que está aí, nessa possibilidade de reinvenção, a principal potência de um processo analítico.
Esse convite à reinvenção de si se dá na construção de um vínculo único e singular: um vínculo que permita dizer, ser escutada/o, se escutar, se estranhar, se perceber diferente e, quem sabe, tornar-se diferente.
Para quem sente o peso de existir: angústia, depressão, luto.
Multiplicidade do ser: sua ansiedade não é uma falha, mas um sinal de que há mundos dentro de você à espera de voz.
Desejo que cura: resgatar a potência criativa aprisionada pela dor (não se trata de "consertar", mas de liberar).
Luto como travessia: reconhecer e honrar a perda sem que ela paralise seu presente em movimento
Corpo político: entender como as pressões sociais intensificam sua ansiedade e encontrar linhas de fuga.
Quando o amor vira guerra silenciosa: crises, distância emocional, repetição.
Diálogos desbloqueadores:
romper ciclos de brigas e ressentimentos que parecem sem saída.
Amor além da posse:
substituir cobranças por encontros autênticos (não somos "um só", somos dois em revolução).
Sexualidade e afeto:
reacender a chama sem cair em scripts pré-fabricados pela sociedade.
Crise como portal:
usar conflitos para desmontar máscaras e reconstruir vínculos mais livres.
Para quem se sente só na multidão: isolamento, inadequação, medo de pertencer.
Coletivo terapêutico: transformar solidão em força através de histórias que ecoam suas lutas.
Pressão social exposta: identificar como padrões (de produtividade, beleza, sucesso) geram sua ansiedade – e sabotá-los juntos.
Luto compartilhado:
elaborar perdas em rede, onde a dor não é vergonha, mas matéria-prima de renascimento.
Coragem coletiva:
praticar vulnerabilidade para dissolver medos que parecem só seus.
A subjetividade se constrói nos fluxos da vida. O processo analítico parte do encontro enquanto potencializador de abertura de novos caminhos. É olhar para si e perceber que "eu sou vários, há multidões em mim" como diria o filósofo Friedrich Nietzsche; e , a partir disso, produzir novas possibilidades de existência.
A escuta clínica, dessa maneira, acompanha trajetos e traça mapas de processos de produção de subjetividades. Explorando conexões e redes de sentido. O processo terapêutico navega pelas camadas da experiência do ser, sem linearidade. É no presente que passado e futuro se encontram enquanto matéria-viva.
A experiência em sua dimensão estética guia a investigação de si, permitindo narrar e viver a vida de maneira criativa, com múltiplas e constantes possibilidades de reinvenção.
A relação analítica se dá a partir do encontro entre corpos que carregam marcas, gestos e movimentos próprios. Corpos que afetam e são afetados na experiência e no contato com outros corpos. A escuta clínica dança com as perguntas: o que pode um corpo em movimento? O que pode um corpo em análise?
O vínculo terapêutico sustenta a abertura para novos encontros. É "amparar o outro na queda". A confiança construída na relação terapêutica fortalece a entrega ao processo analítico, podendo promover mudanças profundas na experiência do ser.
Entre o caos e a criação, há um espaço para se reinventar.
O processo analítico não se limita a um único caminho. Ao contrário; ele integra diferentes campos do saber, como a arte, a filosofia e a psicanálise que atravessam as experiências do ser. Praticar a escuta clínica em sua dimensão transdisciplinar favorece a desconstrução de padrões e possibilita transformações mais profundas. Assim, você poderá expandir o olhar sobre si e sobre o mundo.
Me formei em psicologia no final de 2013 pela Universidade Federal Fluminense, onde também concluí o mestrado na área entre 2017 e 2019. Meu interesse pelos processos de construção subjetiva surgiu na adolescência, ao assistir filmes que exploravam angústia e identidade. Sempre me instigou a forma como certas experiências atravessam e transformam o sujeito. Na minha prática clínica, integro arte, psicologia e filosofia para construir novas possibilidades de existência. Acredito na potência do acolhimento e da escuta qualificada para lidar com ansiedade, luto e depressão. Tenho genuíno interesse na capacidade humana de reinvenção — o movimento de se estranhar, diferenciar-se de si mesmo e encontrar outros caminhos para viver.
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